Pacto das Águas trará técnicas de manejo da Embrapa e uso de ferramentas digitais para uso das comunidades indígenas e extrativistas do Noroeste de Mato Grosso

O projeto Pacto das Águas, patrocinado pela Petrobras, promove em agosto duas oficinas voltadas para a melhoria da produção de castanha-do-brasil pelas comunidades indígenas e extrativistas do noroeste de Mato Grosso. Participam 20 agentes multiplicadores, entre indígenas das Terras Indígenas Japuíra e Escondido, e seringueiros da Resex Guariba Roosevelt. Durante uma semana, eles estarão reunidos em Juína para conhecer técnicas de manejo testadas pela Embrapa, uso de drones e mapeamento digital dos castanhais.

A primeira oficina acontece entre os dias 20 e 23 de agosto e abordará boas práticas de produção da castanha-do-brasil. O objetivo é apoiar as comunidades na melhora do manejo da castanha e aprofundar seus conhecimentos sobre a cadeia produtiva da amêndoa. Entre os temas trabalhados estão métodos de coleta e armazenamento, perpetuação da espécie na floresta e manutenção do uso da castanha como fonte de alimentação saudável para as famílias.

A Embrapa, que acompanha o trabalho do Pacto das Águas, enviará um economista com experiência em cadeias produtivas da sociobiodiversidade para ajudar a calcular o custo de produção da castanha das áreas de incidência do projeto. Esse cálculo específico para as duas terras indígenas e para a reserva é uma importante ferramenta de planejamento e otimização da produção.

“A ideia é levar para os extrativistas uma nova abordagem no contexto de produção de castanha, para que eles possam aprimorar os processos produtivos e melhor compreender a dimensão dessa cadeia produtiva”, explica Emerson de Oliveira Jesus, coordenador técnico do Pacto das Águas.

Inovação nos castanhais
A segunda oficina traz um avanço tecnológico importante para fortalecer os instrumentos de gestão territorial e ambiental, monitoramento e rastreabilidade da produção de castanha. Entre os dias 24 e 26, os agentes multiplicadores aprenderão a utilizar o sistema de georreferenciamento e cadastro digital dos castanhais, além de aprenderem a usar um drone para fazer o mapeamento aéreo dos seus castanhais nativos.

As tecnologias empregadas neste sistema são em ambiente de software livre, premissa básica para permitir a replicabilidade da coleta de dados e o acompanhamento da sua evolução em plataformas móveis de baixo custo, como os celulares e tablets com sistema operacional Android.

Estes dispositivos armazenam caracteres textuais, imagens, filmes ou qualquer outro tipo de mídia e transmitem as coletas pela internet a um banco de dados hospedado no Pacto das Águas. Depois, as informações podem ser integradas a um Sistema de Informação Geográfica (SIG), tornando possível um monitoramento mais completo e apurado tanto dos castanhais como das próprias áreas de floresta das terras indígenas e da reserva.

Com essa metodologia, além do cadastramento dos castanhais, será possível planejar ações de coleta, analisar se há necessidade de abrir novas estradas, avaliar se é preciso substituir ou recompor castanhais, rastrear a origem da produção, facilitar processos de certificação orgânica, planejamento e monitoramento das safras, entre outros benefícios.

Agentes multiplicadores
No retorno para suas aldeias e comunidades, esses agentes terão um papel fundamental na difusão dos conhecimentos aprendidos nas oficinas, bem como no levantamento de informações das diferentes cadeias produtivas de seus territórios.

“A produção vai muito além das formas de manipulação da amêndoa, que na maior parte das vezes é o principal foco das comunidades. Nossas oficinas são mais abrangentes e envolvem, inclusive, questões culturais”, explica Emerson.

O coordenador técnico do projeto conta que o Pacto das Águas tem entre suas preocupações a sustentabilidade das ações que apoia, e o aumento da demanda por castanha pode ser uma ameaça à produção da sociobiodiversidade no longo prazo.

“Produzir castanha qualquer um pode produzir. O diferencial que os povos indígenas e tradicionais trazem é o manejo correto dos castanhais nativos e a importância desse manejo para preservação das florestas” aponta Emerson, que completa com uma preocupação: “Hoje já há proprietários de grandes áreas de manejo florestal que estão colocando funcionários para coletar a castanha e produzir em grande escala. Isto tem impacto nos preços e no mercado. Nós trabalhamos, por meio das ações do Projeto Pacto das Águas que tem o patrocínio da Petrobras, para que os povos tradicionais continuem produzindo com qualidade, porque esse é o diferencial que eles oferecem para o mercado”, completa.

O Pacto das Águas forma multiplicadores de boas práticas para garantir que a produção seja economicamente benéfica para os extrativistas, e que os castanhais permaneçam saudáveis no longo prazo.

Pacto das Águas
O Projeto Pacto das Águas é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e tem como objetivo principal promover o uso sustentável da sociobiodiversidade, com povos indígenas e comunidades tradicionais das Terras Indígenas Japuíra e Escondido e da Resex Guariba Roosevelt. As ações são parte de uma estratégia de emissões evitadas para mitigação do aquecimento global e das mudanças climáticas pela conservação da floresta em pé no Noroeste de Mato Grosso.

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