De 15 a 17 de fevereiro, o Pacto das Águas participou do seminário “Desafios e perspectivas da cadeia da Castanha-do-Brasil no Noroeste de Mato Grosso”. Promovido pela Associação de Coletores de Castanha-do-Brasil do PA Juruena – ACCPAJ, Instituto Centro de Vida – ICV e ONF Brasil, o evento acontece em Cotriguaçu, a 950 km de Cuiabá, capital do estado.

A participação da Oscip no seminário se deve à experiência acumulada de mais de dez anos na região e em Rondônia. E também pelo desenvolvimento do projeto Pacto das Águas, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

“Mesmo antes da criação da Oscip nós atuamos com vários povos indígenas de Mato Grosso e com os moradores da Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, a única no estado”, explica Plácido Costa, presidente do Pacto das Águas. “A coleta de castanha-do-Brasil passou a ser uma importante atividade econômica para a região porque houve um melhoramento nas boas práticas de coleta e na gestão das associações desses povos”, complementa.

Emerson de Oliveira, técnico do projeto Pacto das Águas, explica que a experiência da Resex Guariba Roosevelt, em que uma das suas associações também terá participação no evento, é um exemplo dessa conquista. “Os extrativistas estão acessando recursos governamentais importantes como o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA e a Política de Garantia de Preço Mínimo para produtos da Sociobiodiversidade – PGPM-BIO, ambos da Conab”, comenta. “Com castanha de melhor qualidade e boa gestão dos recursos dos programas, eles estão conseguindo obter os melhores preços da castanha na região”, analisa Emerson.

O Seminário Desafios e perspectivas da cadeia da Castanha-do-Brasil no Noroeste de Mato Grosso promoveu discussões sobre conquistas e desafios que serão levadas à Câmara Técnica do Extrativismo e dos Produtos da Sociobiodiversidade – CTEPS, que está sendo rearticulada em Mato Grosso, como propostas de novas políticas no segmento para regulamentação ambiental e trabalhista. No primeiro dia do evento houve uma visita a um castanhal onde foram observadas técnicas de coleta.

Além do Pacto das Águas e da Amorarr, uma associação da Resex, também apresentaram suas experiências a Cooperativa Mista de Guariba (Comigua) e Cooperativa de Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavam). O governo estadual também participou com representantes de secretarias.

Sobre o projeto Pacto das Águas
O projeto, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, visa consolidar uma estratégia de conservação da floresta com o desenvolvimento econômico das comunidades. A partir do manejo da castanha-do-Brasil (ou castanha-do-Pará), e de outros produtos da sociobiodiversidade, o projeto já envolveu mais de 3 mil pessoas em atividades de manejo florestal comunitário. Somente nas últimas safras, o projeto Pacto das Águas apoiou a produção de cerca de 1500 toneladas de castanha e 30 toneladas de látex. Para o armazenamento da produção foram construídos ou reformados 33 barracões com capacidade de armazenagem de 300 toneladas e instaladas 40 mesas de secagem.

Em Rondônia integram essa iniciativa os povos Gavião e Arara da Terra Indígena Igarapé Lourdes e os Tupari, Aruá e Macurap, da Terra Indígena Rio Branco. Já em Mato Grosso, fazem parte os povos Cinta Larga da Terras Indígena Serra Morena e Parque Indígena Aripuanã, os Rikbaktsa da Terra Indígena Japuíra, além dos seringueiros da Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt.

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